Em: 14/08/2018 05:27:13


Paridade de participação e conquista de uma fraternidade feminina e humana foram discutidas na campanha Sororidade

Evento contou com a presença da cantora Juliana Ribeiro e da monja Goreth Dunningham nesta quinta-feira, na PGE

É preciso sair da simples militância ou do vazio dos discursos para alcançar um real ativismo feminino na política e no trabalho e em todas as instâncias de poder. Foi com essas palavras que a advogada pública Luciana Croda, procuradora do estado da Bahia, abriu mais uma etapa da campanha Sororidade, iniciativa realizada pela Associação de Procuradores do Estado da Bahia (APEB), nesta quinta-feira, 26, na sede da PGE.

O evento, que teve como tema “O papel da mulher contemporânea”, visa abordar a importância do combate à violência contra a mulher, independentemente de gênero, classe social, grau de escolarização e posições profissionais, e teve como eixo central a temática “O que mudou do ‘Pão e Paz’ em 1917 aos dias atuais”.

Presente ao evento, a deputada Luiza Maia, autora da “Lei Anti-baixaria”, que veta o uso de dinheiro público para contratação de artistas cujas músicas desvalorizam as mulheres, e atual titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), abordou a necessidade de a mulher ocupar todos os espaços políticos e que é imprescindível uma paridade de participação em todos os segmentos, uma vez que representam mais da metade da população.

Cléia Costa dos Santos, procuradora aposentada da PGE-BA, preferiu focar o recorte de sua fala num recorte racial e que é urgente pensar o lugar de Direito da Mulher num Estado que não se desconstruiu do seu racismo estrutural, com maior violência ocorrendo na população negra: “Não é possível aplaudir a mulata que é destaque na escola de samba no Carnaval e nem ao menos dar-lhe um bom dia quando esta volta para a casa de seus patrões como empregada doméstica”.

“É preciso pensar a Sororidade como uma fraternidade e uma dimensão prática do feminismo moderno e como uma forma de combater as imposições do patriarcado histórico que, percebendo o poder feminino, sempre colocou ‘veneno’ na relação entre as mulheres, alimentando falsas brigas como Emilinha Borba x Marlene, e que, no fundo, só serviram para vender periódicos e alimentar discursos de ódio atualmente nas redes sociais”, afirmou Juliana Ribeiro. De acordo com ela, é preciso trabalhar em outras dimensões onde a Sororidade não acontece, combatendo o estigma de que “mulher não gosta de mulher”.

Ampliando ainda mais a discussão, a monja Goreth Dunningham disse que é preciso alcançar os valores universais do masculino e do feminino e transcender a questão do sexo ou gênero, além da cor, da classe social e das religiões, pois são as mulheres que geram, criam e educam os homens. “É preciso abrir nossa mente e avançar para uma irmandade entre seres humanos, com amor, respeito, aceitação e acolhimento”, justificou.

Por fim, a vice-presidente da APEB, a procuradora Cristiane Guimarães, enfatizou a importância dos objetivos da campanha, que incluem um pacto civilizatório entre as mulheres na tentativa de obterem solidariedade e uma rede de proteção, e da necessidade de colocar estas temáticas em pauta. “Buscamos incentivar os debates em torno das questões que envolvem as mulheres, com o objetivo maior da construção da igualdade de gênero. Vamos disseminar esta campanha, inclusive com outras ações programadas, e expandir para colegas de procuradorias de outros estados, durante nosso Congresso Nacional – CNPE 2018. Queremos criar uma grande rede que envolva toda a sociedade”, ressaltou Cristiane Guimarães.